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Camisola Principal Benfica 24/25

Edição de sexta-feira, 04 de abril 2025

"Já ganhei tudo o que havia para ganhar"


Será, talvez, um dos

segredos mais bem guardados de uma das mais geniais jogadoras de futsal em todo o mundo. A ala do Benfica Sara Ferreira deve guardar, no seu pé direito, uma varinha mágica, com a qual consegue iludir adversários e adeptos. É, por isso, uma jogadora imprevisível, impossível de ler, de antecipar e de travar.

Recentemente, esteve, mais uma vez, na lista final de dez jogadoras candidatas a melhor do mundo. Foi por aí que começou a entrevista ao programa Protagonista, da BTV.

MELHORES DO MUNDO

"É uma satisfação muito grande, para mim, ter estado entre as dez melhores do mundo e ter estado nessa nomeação. Mas tenho de ter os pés assentes no chão e perceber que nessa lista poderiam estar muitas outras jogadoras de futsal. Se eu fizesse uma lista, este programa não seria suficiente para as nomear todas. E várias delas estão no Benfica, comigo, porque nunca me esqueço de que partilho o balneário com algumas das melhores jogadoras do mundo. Uma delas, a Janice, também estava na corrida, mais uma vez. Aliás, é uma injustiça que a Janice ainda não tenha sido considerada a melhor jogadora do mundo. Quase todos os anos está lá, na luta. Mas vai chegar lá, é inevitável. Ela disse, neste programa, que não merecia ter sido eleita a melhor jogadora da liga portuguesa, mas a verdade é que os seus números são sempre absurdos. É uma jogadora fenomenal. Quanto a mim, foi uma surpresa, para mim, porque não fiz a minha melhor época. Sim, fiz golos decisivos, fui importante na conquista dos nossos títulos, porque nesta equipa somos todas importantes, mas sinto que não fiz uma época tão regular como outras."

Sara Ferreira

"Nunca me esqueço de que partilho o balneário com algumas das melhores jogadoras do mundo"

Sara Ferreira

QUANDO O TELEFONE TOCA

"Não esperava mesmo nada receber essa nomeação para melhor jogadora do mundo. Quer saber como soube da notícia? Estava no carro, no meio do trânsito, na 2.ª Circular, e a Ana Catarina – a melhor guarda-redes do mundo – ligou-me para me dizer que eu estava na lista de dez jogadoras candidatas a melhor do mundo do ano. Eu disse-lhe 'pára lá de gozar comigo', mas ela insistia em como era verdade, até que lhe disse que já falaríamos quando eu chegasse ao treino. Pensei sempre que ela me estava a pregar uma partida, mas, a seguir, recebo uma lista com o nome das dez jogadoras nomeadas e vi lá o meu. Ainda me interroguei se seria mesmo assim e, depois, conclui que sim. Foi uma surpresa, reconheço, até porque, na época passada, nem tive grande destaque nos media, e sabemos como isso é importante nestas coisas, porque há uma relação entre o destaque que se tem nos media e o rendimento que se apresenta em campo, o que pode ser injusto para muitas jogadoras."

HUMILDADE E VALORES

"Não existe falsa humildade quando eu reconheço que não fiz a minha melhor época, assim como a Janice também admitiu que a sua escolha para melhor jogadora do ano, na liga portuguesa, seria a Maria Pereira. Somos uma equipa que dá muita importância aos valores do Clube, e um desses valores é a humildade. É uma das formas de nos caracterizar, porque, conquistando tanta coisa, poderíamos perder essa humildade. Mas somos do Benfica e conhecemos e praticamos os valores do Clube. E são esses valores que tentamos incutir nas novas jogadoras, para que elas percebam que estão numa equipa onde nos exigem vitórias. Mas também nos exigem que representemos bem o Clube e a camisola que vestimos. Daí a importância das jogadoras mais experientes, como eu, a Inês Fernandes ou a Ana Catarina Pereira. E a verdade é que, depois de nós, existe já uma geração de jogadoras mais novas, mas que representam muito bem esses valores de que falo. A Raquel, a Maria Pereira e a Inês Matos são exemplos de jogadoras que assimilaram bem essas características, são humildes, são grandes jogadoras e já passam esses valores a outras jogadoras mais novas."

Sara Ferreira

"Somos uma equipa que dá muita importância aos valores do Clube, e um desses valores é a humildade"

EXPERIÊNCIA + IRREVERÊNCIA

"É uma coisa que nos distingue. Temos, no plantel, jogadoras como eu, a Inês Fernandes e a Ana Catarina Pereira, que estão cá há muitos anos, temos jogadoras que, sendo mais novas, são o futuro assegurado da equipa e já foram assimiladas pelo nosso espírito, como a Inês Matos, a Raquel Santos, a Maria Pereira, a Angélica, e temos as mais novas, que são irreverentes e acrescentam à equipa essa juventude. Como a Ana Oliveira, com aquele atrevimento com que vai para cima, de quem vai para o drible. Eu revejo-me muito nela, quando tinha a idade dela, e ainda mantenho um pouco dessa irreverência, mas, claro, agora mais contida, porque conheço melhor o jogo e aquilo que o jogo me pede em cada momento. Mas temos um plantel muito equilibrado, a esse nível. Claro que eu, a Ana Catarina ou a Inês não somos eternas, e vai chegar o dia em que teremos de nos afastar, mas temos o conforto de saber que a equipa vai continuar a ganhar, vai continuar com o mesmo espírito, vai continuar com os mesmos valores e a ganhar à Benfica. Eu tenho 31 anos, sinto-me bem fisicamente, sinto vontade de ganhar mais títulos, mas também sei que não sou profissional do futsal e vai chegar o dia em que terei de fazer uma escolha para o meu futuro. Mas não é já."

CONQUISTADORAS

"Há uma coisa que nunca muda, no Benfica e nesta equipa. O desejo insaciável de ganhar. Neste ano, já vencemos a Supertaça Ibérica e agora a Supertaça, mas já estamos a pensar nas próximas conquistas. Ou seja, não perdemos muito tempo a pensar no que já conquistámos, mas no que falta conquistar. E temos quatro títulos para vencer, a Liga, as Taças, de Portugal e da Liga, e a Liga Europeia. Ganhámos essa competição na época passada, era o que faltava aos nossos currículos, mas isso não nos faz parar. Queremos ser campeãs europeias de novo, embora não tenhamos garantias de que a prova se realize nesta temporada, por causa da realização do Mundial no próximo ano, que vai obrigar as seleções a disputar uma fase de apuramento, e pode não haver datas para realizar a Liga Europeia. É por isso que ansiamos que a UEFA oficialize a competição e passe a organizar a Champions. Acredito que isso vai acontecer ainda no meu tempo, e terei a oportunidade de disputar, pelo meu clube, essa competição."

Sara Ferreira

"Há uma coisa que nunca muda, no Benfica e nesta equipa. O desejo insaciável de ganhar"

O PESO DA DERROTA

"Nesta equipa, a derrota pesa muito. Porque não estamos habituadas a ela e porque lutamos sempre muito para que elas não aconteçam. Na época passada, depois da eliminação na Taça da Liga, doeu bastante. A Janice disse que andámos um mês a remoer, e é verdade. Foi muito duro, porque seria o ano em que poderíamos conquistar tudo, já que vencemos a prova que nos faltava a todas, a Liga Europeia. Foi um mês em que tentámos perceber o que nos tinha acontecido, mas também nos chamou à terra. Afinal, não éramos invencíveis. E não somos. E é isso que nos faz querer ganhar mais, porque há muitas equipas e muitas jogadoras a quererem tirar-nos o que é nosso, o que é o Benfica. É isso que nos faz correr. Eu já ganhei tudo o que havia para ganhar, se fechasse hoje a minha carreira, era isso que levava comigo. Mas, curiosamente, é isso que me faz querer mais. Quero ganhar de novo, dar mais títulos a este clube, que já era o meu clube antes de jogar futsal. E também porque eu, a Ana Catarina e a Inês recordamos como era no início desta aventura, quando só perdíamos, no início do futsal feminino no Benfica. Tivemos de perder antes de ganhar. E é essa ambição e esse exemplo que tentamos passar às mais novas. Porque, no futsal feminino, o Benfica já perdeu o que tinha a perder. Agora, o pensamento só pode ser ganhar."

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